domingo, 3, julho, 2022
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De Minas Gerais para a história do jornalismo – Jornal de Brasília

Após consolidar uma carreira de referência, o colunista Gilberto Amaral anuncia aposentadoria

Mayra Dias
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Dono de uma voz marcante e de uma carreira ilustre no rádio e na televisão, o ícone Gilberto Amaral, colunista social do Jornal de Brasília, anuncia a chegada da aposentadoria. Depois de fazer história em mais de 60 anos de carreira, o mineiro de 87 anos encerra seus trabalhos deixando um legado almejado por qualquer jornalista. “Eu tenho mais de 64 anos atuando no meio da comunicação, e, em todos esses anos, o que eu fiz no rádio e na televisão pouca gente fez”, admite, com orgulho, Gilberto.

Nascido em São Sebastião do Paraíso (MG), em 1934, João Gilberto Amaral Soares é o segundo filho de quatro. Referência do jornalismo social e político da capital, o filho da dona Otília Amaral Soares e do seu José Soares Amaral (conhecido como Zezé Amaral) veio para Brasília com 25 anos de idade, atendendo ao convite de Juscelino Kubitschek, ainda antes da inauguração da cidade, em 27 de março de 1960. Se tornou amigo de vários presidentes da República, tendo um deles, inclusive, como seu padrinho de casamento com Mara, que conheceu devido a um de seus trabalhos na TV. A moça era filha do então deputado federal Manoel França Campos, o que influenciou na aproximação de Gilberto com diversos influentes no mundo do poder.

Carreira

Com três programas na televisão, colunas sociais em dois veículos impressos e um blog, o colunista social do JBr é considerado, até então, o mais antigo colunista em atividade do país. No entanto, como conta o jornalista, o caminho até se consolidar na carreira foi repleto de altos e baixos. Ao final da Segunda Grande Guerra, seu pai comprou uma rádio, e chamou o filho de 11 anos para ajudá-lo no local. “Ele queria que a nossa rádio entrasse em cadeia com a rádio nacional, do Rio de Janeiro”, rememora. Ele conta que começou a redigir textos ainda menino. Pela máquina de escrever, o rapaz discorria sobre os bailes e acontecimentos desses eventos. A folha então era pregada no quadro de um clube, onde as pessoas faziam fila para ler a chamada “coluna mural”.

Por não dar tanta atenção aos estudos e concentrar todos os seus esforços no trabalho na rádio, Gilberto, após perder um ano na escola, foi enviado, pela própria família, para Belo Horizonte (MG). “Eu não fui para a aula nenhum dia naquele ano”, brinca o jornalista. O jovem, então, estava proibido de trabalhar nos veículos, e seu pai desejava que se tornasse advogado. Porém, mesmo assim, o rapaz realizou um teste para ser locutor na Rádio Inconfidência. Mesmo não conseguindo a vaga, sua audição serviu para chamar atenção de Celso Siffert, que na época era responsável pelo marketing da loja B Moreira e de um outro programa de variedades.

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Ocupando esse posto, sua função era ler as notícias juntamente com Rubem Tomich, o repórter Esso.

Seu ingresso na televisão, por sua vez, aconteceu em 1957, depois de ser visto no palco do Iate Clube da capital de Minas por Benjamin Levi, diretor da mobiliadora Casas Levi. “Todo domingo nós íamos para lá jantar e dançar”, lembra Gilberto. Por ironia do destino, naquele período, Benjamin lançava um programa na televisão, e viu, no rapaz, um exímio apresentador de TV. “Eu sempre cantava nesses jantares dançantes e, nessa noite, não foi diferente. Subi no palco e pedi para Cauby Peixoto, que era o artista se apresentando no dia, para chamarmos ao palco, para dançar, um amigo meu”, descreve.

Sua permanência no programa, entretanto, acabou após uma discussão com a direção da emissora. “Eles disseram que eu estava ultrapassando o tempo do programa, e que, se eu fizesse isso de novo, eles iriam o tirar do ar”, comenta Gilberto.

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Atenção da Rainha Elizabeth

Durante sua carreira como colunista, Gilberto Amaral esteve nos eventos mais prestigiados de Brasília e vivenciou momentos históricos do país e do mundo. Ele teve por perto personalidades importantes, como Assis Chateaubriand e a rainha Elizabeth. Em uma visita a Brasília, todos os repórteres presentes se organizaram em filas para beijar a mão da monarca britânica. Elizabeth, no entanto, rapidamente reparou em Gilberto, que estava à frente da linha, e logo iniciou um rápido bate papo com o homem.

Ao relembrar sua passagem pelo Jornal de Brasília, o colunista é enfático ao descrevê-la como algo prazeroso. “Minha experiência no JBr foi muito boa. É um jornal que cresceu muito nos últimos anos e, hoje, é o mais lido da capital”, salienta. O mineiro, contudo, faz questão de enfatizar que, enquanto tiver condições, estará disponível para qualquer trabalho que lhe proponham, sempre disposto a ajudar. “O jornalismo não sai da gente. É muito difícil parar depois que você conhece a comunicação. Enquanto eu estiver vivo, eu estarei praticando o jornalismo”, garante, sem perder o bom humor.

Feliz e realizado com o papel que desempenhou até aqui, o jornalista confessa estar em paz. “Trabalhei nas melhores emissoras de TV e de rádio do Brasil, assim como nos melhores jornais do país. O que mais eu posso querer? Nada”, diz. Gilberto ainda expõe ter vivido experiências únicas, e conhecido lugares que, outra profissão, talvez não teria lhe proporcionado.

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“Eu construí no Brasil e no mundo, um nome respeitado”, completa.
Quem estará à frente da coluna social a partir de agora é a jornalista Lia Cristina Ferreira Dinorah e Silva, ou Lia Dinorah.

Lia Dinorah assume a coluna

Com a responsabilidade de ser a sucessora de alguém que ela tem como referência, e que a viu crescer no ramo, a jornalista Lia Dinorah conta estar se sentindo como uma ‘recém-formada’ recebendo de seu mestre a sua graduação. “É uma satisfação sem tamanho e um misto de expectativa. O clássico frio na barriga, com a noção de que cada dia requer o melhor de mim”, completa.

Quanto às suas expectativas no novo cargo, Lia revela que espera corresponder à confiança que lhe foi depositada pelo companheiro. “Eu confio muito no trabalho dela. A Lia sempre me surpreendeu, desde que dei a primeira oportunidade para ela, fazendo tudo da melhor forma possível”, avalia Gilberto Amaral, aproveitando para revelar também que não deixará seu programa de TV e seu blog.

Lia, que assume a coluna nesta segunda-feira, relembra ainda que a data traz consigo outro significado. “Neste 1º de março, além de ser o dia que eu assumo a nossa coluna, é o dia em que completo 32 anos trabalhando com o Gilberto”, declara. Referindo-se a si mesma como uma eterna aprendiz, com o objetivo de encarar, ao lado do seu mestre, os desafios para compor um trabalho cada dia melhor, a colunista tem um grande apego pela página que, há anos, vinha desenvolvendo ao lado de seu ‘professor’. “É um pequeno jornal dentro de um grande jornal, pois abrimos espaço para várias áreas de interesse”, finaliza.

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